O Spotify anunciou nesta terça-feira (30) uma das mudanças mais significativas de sua história. A partir de 1º de janeiro de 2026, Daniel Ek deixará o cargo de CEO da companhia para assumir a função de presidente executivo. No lugar dele, a plataforma de streaming será comandada pelos atuais copresidentes Gustav Söderström, responsável por produto e tecnologia, e Alex Norström, à frente da área de negócios. Ambos se tornarão co-CEOs e integrarão o conselho de administração, mediante aprovação dos acionistas.
Uma transição planejada há anos
Segundo a empresa, a decisão apenas formaliza um modelo de gestão que já vinha sendo aplicado desde 2023, quando Söderström e Norström passaram a conduzir boa parte da estratégia e da operação diária. Daniel Ek, por sua vez, terá papel mais focado em decisões de longo prazo, como alocação de recursos, planejamento estratégico e articulação com reguladores.
No comunicado aos funcionários, Ek destacou a evolução da companhia desde a fundação em Estocolmo, em 2006:
“O que parecia uma ideia impossível se tornou um produto usado por quase três quartos de bilhão de pessoas. Ajudamos a remodelar uma indústria que não apenas voltou a crescer, mas atingiu novos patamares.”
Confiança no novo comando
O conselho do Spotify afirmou que a transição vinha sendo preparada há anos. Woody Marshall, diretor independente líder, declarou ter “enorme confiança em Alex e Gustav”, ressaltando os mais de 15 anos de trajetória de ambos na empresa.
Em nota conjunta, os futuros co-CEOs afirmaram que a missão segue a mesma:
“Quando assumimos como copresidentes, há quase três anos, pedimos aos times foco total em construir a melhor experiência possível. Essa ambição não mudou.”
Polêmicas envolvendo Daniel Ek
A mudança ocorre em meio a críticas crescentes à figura de Daniel Ek. Nos últimos meses, artistas e usuários reagiram aos investimentos do executivo em setores militares, por meio da Prima Materia, sua empresa de investimentos. Em 2025, Ek liderou um aporte de 600 milhões de euros na startup alemã Helsing, especializada em inteligência artificial aplicada à defesa.
A decisão provocou forte reação da comunidade musical e resultou na campanha “No Music For Genocide”, que levou centenas de artistas a retirar suas músicas da plataforma, entre eles Massive Attack e King Gizzard & The Lizard Wizard. Ek, entretanto, manteve a postura de não ceder à pressão.
Venda de ações e dúvidas do mercado
Outro fator que chamou atenção foi a venda de mais de US$ 1 bilhão em ações do Spotify por parte de Ek e do cofundador Martin Lorentzon, ao longo de 2025. O montante foi redirecionado para novos investimentos, levantando questionamentos sobre o grau de comprometimento do fundador com a companhia.
Apesar disso, o Spotify encerrou 2025 com o primeiro ano de lucratividade plena de sua história, ainda que com desafios no segmento de anúncios.
Continuidade e incertezas
Embora a empresa trate a mudança como uma formalidade, o mercado e a classe artística observam o movimento com cautela. A liderança compartilhada entre Söderström e Norström já era uma prática consolidada, mas a permanência de Daniel Ek em posição estratégica mantém abertas as discussões sobre sua influência e sobre o futuro da marca.
Em mensagem de despedida, Ek reforçou o caráter de continuidade:
“Meu título muda, mas meu compromisso e crença no que estamos construindo não. Obrigado por acreditarem em tornar ideias impossíveis possíveis. Vamos continuar — mais forte, melhor, mais rápido, mais intenso.”


