O SBT voltou a passar por uma profunda reorganização em sua cúpula administrativa. No início da noite de quinta-feira (29), a emissora de Silvio Santos promoveu uma nova rodada de demissões no alto escalão e, ao mesmo tempo, definiu quem ocupará o posto mais poderoso do organograma depois da presidência. O movimento reforça o momento de ajustes internos enfrentado pelo canal, que vive um período de intensa instabilidade em cargos estratégicos.
A decisão atinge áreas-chave do negócio, como o departamento comercial, o núcleo digital e a superintendência de negócios, setores considerados fundamentais para o desempenho financeiro e estratégico da emissora em um cenário de mercado cada vez mais competitivo.
Troca constante no comando comercial acende alerta interno
A principal demissão do dia foi a de Marcos Kotait, diretor comercial do SBT. Contratado há apenas quatro meses, o executivo deixa o cargo em meio a críticas internas sobre o desempenho da área, especialmente em relação à comercialização da Copa do Mundo. Segundo apuração, as cotas do torneio precisaram ser vendidas com descontos acima da média praticada no mercado, frustrando as expectativas de receita da emissora.
Com a saída de Kotait, o SBT chega à impressionante marca de quatro diretores comerciais diferentes em apenas dois anos, um dado que escancara a dificuldade da empresa em estabilizar a área. Antes dele, o posto foi ocupado por Vicente Varela (2024/2025), Luciana Valério (2023/2024) e Fred Müller (2019/2023). A rotatividade elevada é vista internamente como um dos principais entraves para a construção de uma estratégia comercial de longo prazo.
Área digital também sofre baixa com resultados abaixo do esperado
Além do departamento comercial, o setor de negócios digitais do SBT também foi impactado. Karin Ribeiro, responsável pela administração da área, foi dispensada após não atingir as metas de rendimento projetadas pela companhia. A decisão evidencia a pressão crescente por resultados mais robustos no ambiente digital, considerado prioritário para a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo.
Nos bastidores, a avaliação é de que a emissora ainda enfrenta dificuldades para transformar audiência e presença digital em receitas consistentes, mesmo com investimentos recentes em plataformas, conteúdo e integração multiplataforma.
Fernando Justus Fischer deixa superintendência, mas segue no grupo
Outro nome atingido pela reestruturação foi Fernando Justus Fischer, que havia reassumido a superintendência de negócios e comercialização do SBT em agosto. Esta é a segunda vez que o executivo é afastado de funções estratégicas em menos de um ano. Em fevereiro de 2025, Fischer já havia sido retirado do posto de COO da companhia e transferido para a direção institucional do Grupo Silvio Santos.
Apesar da nova demissão, Fischer é o único entre os executivos desligados que permanece formalmente vinculado ao SBT. Ele segue contratado e negocia um possível remanejamento para outra função, muito provavelmente fora da estrutura direta da emissora, dentro do Grupo Silvio Santos. Ainda assim, fontes ouvidas afirmam que a permanência dele na rede é considerada pouco provável.
Vaga de “poderoso chefão” finalmente é preenchida
Em meio às dispensas, o SBT também anunciou a definição de quem ocupará o posto mais alto abaixo da presidência, vago desde a demissão de Rinaldi Faria, em novembro de 2025. A escolhida foi Alessandra Ribeiro, executiva que integra o canal desde fevereiro de 2025.
Até então superintendente financeira, Alessandra assume agora a vice-presidência da emissora, tornando-se o segundo nome mais importante do organograma do SBT, respondendo diretamente à presidente Daniela Beyruti. A nomeação marca uma mudança significativa na dinâmica de poder interna e sinaliza uma aposta em um perfil mais técnico e centralizador para conduzir o próximo ciclo da empresa.
Nova vice-presidente concentra poder e redefine gestão
Com a nova estrutura, Alessandra Ribeiro passa a ser responsável por todas as áreas estratégicas do canal, incluindo programação, artístico, conteúdo, finanças e comercial. A partir de agora, os diretores dessas áreas passam a responder diretamente a ela, com exceção dos setores financeiro e comercial, que deixam de ter autonomia própria e passam a ser geridos integralmente pela vice-presidente.
A centralização é vista como uma tentativa de acelerar decisões, reduzir conflitos internos e impor maior disciplina operacional em um momento de pressão por resultados. Internamente, a avaliação é de que o SBT busca mais controle sobre custos, investimentos e estratégias comerciais após uma sequência de desempenhos considerados abaixo do potencial da marca.


