PARCERIA ENTRE GIGANTES DA MÍDIA EM APOSTA NO UNIVERSO MUSICAL
A Netflix está em tratativas avançadas com o Spotify para firmar uma nova colaboração estratégica voltada à música. Segundo o Wall Street Journal e a agência Reuters, as plataformas de streaming discutem uma aliança para desenvolver prêmios musicais próprios, shows ao vivo, documentários de produção acelerada e entrevistas com artistas.
Essa possível parceria reforça a nova fase da Netflix, que tem apostado em conteúdos ao vivo como forma de diversificar sua oferta, aumentar o engajamento e atrair novos assinantes. A empresa já realizou transmissões ao vivo de eventos esportivos, como lutas entre celebridades e jogos da NFL.
Aliança sinaliza nova etapa para os gigantes do streaming
Não é a primeira vez que Netflix e Spotify se unem. Em 2019, as marcas lançaram ações promocionais conjuntas, como playlists temáticas e podcasts inspirados em produções da Netflix. Desta vez, no entanto, a aliança aponta para um salto maior em direção a conteúdos originais, ao vivo e com foco na música.
Para o Spotify, a aproximação representa a consolidação de sua estratégia audiovisual. Desde 2024, a plataforma tem ampliado a oferta de vídeos, incluindo clipes musicais — lançados em março de 2025 em países como Brasil, EUA, Reino Unido e Japão. Também tem investido em apresentações exclusivas para assinantes premium, como performances de K-pop e conteúdos especiais.
Netflix intensifica aposta em realities e competições musicais
Mesmo antes da formalização da parceria, a Netflix já intensificava sua atuação no setor musical. Na próxima semana, estreia Building the Band, reality show comandado por AJ McLean (Backstreet Boys), em que músicos formam bandas sem conhecer previamente seus integrantes. A proposta traz uma abordagem inovadora aos formatos tradicionais de competição.
Além disso, a plataforma prepara o reboot de Star Search, lendário programa que revelou nomes como Beyoncé e Justin Timberlake, e outro formato musical ainda não revelado. Os projetos indicam uma tentativa clara da Netflix de ocupar espaço relevante no gênero não roteirizado.
Jeff Gaspin comanda ofensiva musical na Netflix
No centro dessa movimentação está Jeff Gaspin, vice-presidente de séries não roteirizadas da Netflix e ex-executivo da NBCUniversal. Ele foi o responsável por aprovar The Voice nos Estados Unidos, um dos maiores sucessos do gênero. Agora, tem a missão de criar o próximo grande fenômeno musical da plataforma.
“Não queremos fazer ao vivo só por fazer. Se vamos fazer algo ao vivo, precisa haver um bom motivo”, afirmou Gaspin ao Wall Street Journal. A fala sinaliza que o foco será a criação de formatos com potencial de engajamento duradouro — e não apenas eventos pontuais.
Crescimento nas bases de usuários impulsiona estratégias
O interesse em novos formatos e parcerias ocorre em um momento de alta para ambas as empresas. A Netflix terminou 2024 com 301,6 milhões de assinantes pagos, registrando um crescimento de 16% em relação ao ano anterior. No início de 2025, também reajustou seus planos nos EUA, elevando o valor do pacote padrão sem anúncios para US$ 17,99 e do premium para US$ 24,99.
Já o Spotify encerrou o primeiro trimestre de 2025 com 268 milhões de usuários pagantes — avanço de 12% em 12 meses. Em junho de 2024, a empresa também reajustou o plano Premium nos EUA, que passou de US$ 10,99 para US$ 11,99 mensais.
Embora ainda não haja um anúncio oficial, a presença de Ted Sarandos (co-CEO da Netflix e membro do conselho do Spotify) nas negociações reforça a perspectiva de que novidades concretas devem surgir em breve — com potencial para transformar o cenário do entretenimento digital.


