A plataforma de hospedagem de vídeos Vimeo iniciou um processo de demissões em sua operação global poucos meses após ser adquirida pelo conglomerado de tecnologia italiano Bending Spoons. A movimentação acende um alerta no mercado de tecnologia e reforça um padrão recorrente em aquisições recentes conduzidas pelo grupo europeu.
De acordo com informações reveladas pelo Business Insider, o Vimeo está promovendo cortes significativos em sua força de trabalho global. A reestruturação ocorre após a empresa ter sido comprada em dinheiro pela Bending Spoons, em uma negociação avaliada em US$ 1,38 bilhão, concluída no ano passado.
A Bending Spoons confirmou oficialmente as demissões, mas evitou divulgar números exatos ou áreas mais afetadas. Ainda assim, relatos internos apontam que os desligamentos atingem uma parcela expressiva dos colaboradores da companhia.
Demissões atingem “grande parte” da equipe do Vimeo
Segundo o Business Insider, os cortes devem afetar uma “grande parte” do quadro total de funcionários do Vimeo. A informação ganhou força após uma publicação no LinkedIn de um ex-vice-presidente de marca global e criação da empresa, que afirmou ter sido desligado “junto com uma grande parte da companhia”.
O relato reforça a percepção de que a reestruturação não se limita a cargos pontuais ou áreas específicas, mas faz parte de um movimento mais amplo de enxugamento da operação após a mudança de controle acionário.
Aquisição pela Bending Spoons segue padrão já visto em outros negócios
Nos últimos anos, a Bending Spoons se consolidou como uma das empresas mais ativas em aquisições no setor de tecnologia, especialmente de plataformas digitais já consolidadas, mas que enfrentam desafios de crescimento e rentabilidade.
Além do Vimeo, o grupo italiano também adquiriu marcas conhecidas como Evernote e WeTransfer. Em casos anteriores, essas aquisições também foram seguidas por processos de reorganização interna, redução de custos e cortes de pessoal, com foco em eficiência operacional e aumento de margens.
Vimeo enfrenta dificuldades para competir com o YouTube
Fundado em 2004, o Vimeo sempre se posicionou como uma alternativa mais sofisticada ao YouTube, voltada a criadores profissionais, cineastas e empresas. No entanto, ao longo dos anos, a plataforma enfrentou dificuldades para competir em escala e audiência com o domínio absoluto do YouTube no mercado global de vídeos online.
A pressão competitiva, aliada à mudança de hábitos de consumo e ao crescimento de outras plataformas de vídeo e redes sociais, impactou diretamente o desempenho financeiro e estratégico da empresa.
Aposta em inteligência artificial marcou os últimos anos
Nos últimos anos, o Vimeo passou a apostar fortemente em ferramentas baseadas em inteligência artificial como forma de se reinventar e ampliar sua proposta de valor. Em 2023, a empresa anunciou planos para lançar soluções de escrita de roteiros e edição de vídeo com tecnologia de IA, buscando atrair criadores e empresas interessadas em automação e produtividade.
Já em outubro do ano passado, a plataforma ampliou esse movimento ao lançar um conjunto adicional de ferramentas de criação com IA, desenhadas para conectar diretamente o conteúdo produzido por cineastas aos fluxos de trabalho baseados em inteligência artificial.
Apesar dos investimentos, o retorno dessas iniciativas ainda não foi suficiente para afastar a necessidade de ajustes estruturais mais profundos.
Silêncio oficial sobre próximos passos
Procuradas, tanto o Vimeo quanto a Bending Spoons evitaram comentar detalhes adicionais sobre o processo de demissões, impactos nas operações ou eventuais mudanças estratégicas futuras. O TechCrunch também tentou obter mais informações, mas não recebeu respostas conclusivas até o momento.
O cenário indica que o Vimeo deve passar por uma nova fase sob o comando da Bending Spoons, com foco em eficiência, automação e reposicionamento estratégico em um mercado cada vez mais competitivo.


