A Netflix transformou São Paulo em centro das atenções nesta terça-feira (9) ao realizar o evento “Feito Aqui”, uma demonstração de força que foi muito além do anúncio de seu calendário nacional para 2026. Em meio ao debate em Brasília sobre cotas e investimentos obrigatórios — com o Senado prestes a analisar o PL 8.889 — a plataforma fez um movimento claro: reafirmou sua parceria com o setor independente brasileiro e sua intenção de seguir liderando a produção local.
Netflix se posiciona no debate nacional e exalta força criativa brasileira
No palco, Elisabetta Zenatti, VP de Conteúdo da Netflix no Brasil, defendeu os mais de dez anos de investimento em produções locais e reforçou a importância de “regras justas e equilibradas” para garantir a perenidade do setor. Com um discurso que misturou firmeza e celebração, Zenatti destacou a potência criativa do país:
“A nossa força de criar permanece inabalável. Produzimos mais, produzimos melhor e seguimos buscando excelência com ousadia e parceria.”
A plataforma também reforçou seu alinhamento com produtoras independentes ao destacar nomes como Manoel Rangel, ex-presidente da Ancine e sócio da Paranoid. Ele celebrou a construção de confiança com a Netflix, ao lado do diretor Heitor Dhalia, responsável por sucessos como DNA do Crime e Os Donos do Jogo — ambas renovadas.
Novos projetos mostram aposta em adaptações e grandes nomes
O mega pacote de produções anunciado para 2026 reforça a diversidade de gêneros, a aposta em adaptações literárias e o diálogo com produtoras de diferentes portes. Entre os destaques:
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“O Diário de um Mago” – Adaptação do best-seller de Paulo Coelho. Filme produzido pela Gullane, direção de Vicente Amorim.
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“A Estranha na Cama” – Thriller baseado em obra inédita de Raphael Montes, desenvolvido pela Casa Montes e produzido pela A Fábrica, com direção de Esmir Filho.
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“Os 12 Signos de Valentina” – Série inspirada no livro de Ray Tavares, produzida pela Boutique Filmes. Direção geral de Carol Durão.
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“As Crianças Estão de Volta” (título provisório) – Comédia familiar criada por Patrícia Leme, roteiro de Cláudio Paiva e direção artística de Maurício Farias. Produção da A Fábrica.
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“Sua Mãe Te Conhece” – Reality show apresentado por Claudia Raia, produzido pela BoxFish em coprodução com a Farra.
O line-up confirma que a Netflix está longe de desacelerar: combina nomes consagrados, propriedades intelectuais fortes e diversidade de formatos — do melodrama ao thriller, passando por reality show.
Produções em andamento e expansão do ecossistema independente
Além dos anúncios, a Netflix apresentou detalhes de projetos recém-iniciados, ampliando ainda mais sua rede de parceiros:
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“Rauls” – Criada por Konrad Dantas (KondZilla), Kaique Alves e Felipe Braga, é o segundo projeto com KondZilla e LB Entretenimento. Produção da Manas Filmes, nova empresa de Bel Berlinck e Joana Cooper.
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“Habeas Corpus” – Primeiro drama jurídico brasileiro da plataforma. Produzido pela Café Royal, com direção de Luiz Villaça e Flávia Lacerda.
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Melodrama sem título – Produção da Amaia Produções em parceria com a Conspiração, com direção geral de Mauro Mendonça Filho.
As produções reforçam a estratégia de diversificação regional e criativa da plataforma, fortalecendo vínculos com produtoras estabelecidas e novos players do mercado.
Licenciamento vira ferramenta estratégica para aquecer o mercado
A Netflix também destacou que o licenciamento continuará desempenhando papel central em sua estratégia para fortalecer o setor audiovisual brasileiro. Somente em 2025, 55 títulos nacionais foram licenciados — número que deve crescer ainda mais em 2026.
Entre as novidades confirmadas estão os filmes premiados “Bacurau” e “O Último Azul”, que chegam ao catálogo no próximo ano. Zenatti defendeu o modelo de pré-licenciamento como uma engrenagem fundamental para viabilizar novos financiadores e impulsionar a economia criativa:
“Pré-licenciar é abrir caminho para que novos investidores cheguem.”
Ao reforçar sua atuação como produtora, coprodutora e janela de exibição, a Netflix envia um recado claro ao mercado: seguirá atuando como um dos pilares de sustentação do audiovisual nacional.


