A televisão brasileira perdeu neste domingo uma de suas figuras mais marcantes. Ione Borges, ex-apresentadora da TV Gazeta, morreu aos 73 anos, deixando um legado que atravessou gerações e ajudou a moldar o formato dos programas femininos e de variedades no país. A informação foi confirmada pela apresentadora Claudete Troiano, sua parceira histórica de televisão, por meio de uma emocionante homenagem publicada nas redes sociais.
A causa da morte não foi divulgada pela família ou por representantes próximos. A notícia gerou comoção entre colegas de profissão, fãs e telespectadores que acompanharam, por décadas, a presença elegante e carismática de Ione nas telas.
“Juntas, na televisão, construímos uma história que atravessou gerações e marcou a vida de tantas pessoas…”, escreveu Claudete, resumindo em poucas palavras a profundidade de uma parceria que se tornou símbolo de uma era na TV brasileira.
Uma trajetória iniciada ainda na infância
Muito antes de se tornar um dos principais rostos da programação da TV Gazeta, Ione Borges já respirava televisão. Sua carreira começou aos 12 anos, em programas infantis na antiga TV Record, mostrando desde cedo um talento nato para a frente das câmeras.
Em 1969, sua imagem ganhou projeção nacional ao se tornar garota-propaganda do Mappin, um dos maiores ícones do varejo brasileiro na época. Durante uma década, Ione se tornou presença constante em campanhas publicitárias, consolidando-se como um dos rostos mais conhecidos da televisão e da publicidade dos anos 1970.
Antes do sucesso como apresentadora, ela também construiu carreira como modelo, atriz e empresária no ramo da moda, chegando a manter uma grife própria. Como atriz, integrou o elenco da primeira versão da novela Meu Pedacinho de Chão, exibida pela TV Globo em 1972, experiência que ampliou ainda mais sua relação com as artes cênicas.
O brilho absoluto no “Mulheres”, da TV Gazeta
Foi na TV Gazeta que Ione Borges encontrou o espaço definitivo para marcar a história. Entre 1980 e 1999, apresentou o tradicional programa Mulheres, sendo que, durante 17 anos, dividiu a bancada com Claudete Troiano na fase mais icônica da atração.

O Mulheres não apenas consolidou sua carreira, como também transformou Ione em uma das referências do jornalismo de variedades e entretenimento feminino no Brasil. Carismática, elegante e sempre próxima do público, ela ajudou a construir um formato que permanece no ar até hoje, atravessando gerações.
Além do Mulheres, Ione Borges também comandou um talk show em horário nobre que levava seu próprio nome, além de outras atrações marcantes como Pra Você e Manhã Gazeta, sempre com forte apelo ao público feminino e às famílias brasileiras.
O impacto de sua imagem foi tal que seu nome se tornou sinônimo de credibilidade, empatia e sofisticação na condução de programas ao vivo.
A despedida dos estúdios e as raras aparições posteriores
Em 2010, alegando cansaço e a necessidade de cuidar da saúde, Ione Borges pediu demissão da TV Gazeta. No entanto, em um gesto de carinho e reconhecimento por sua trajetória, a emissora optou por mantê-la em seu quadro de funcionários, mesmo afastada das câmeras.
Após anos longe da televisão, sua volta aconteceu de forma pontual e sempre muito simbólica:
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Em 2014, substituiu Ronnie Von durante duas semanas no programa Todo Seu
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Em 2020, participou da edição comemorativa de 40 anos do programa Mulheres, ao lado de Claudete Troiano
Esses momentos foram recebidos com forte emoção pelo público, que jamais esqueceu sua importância na história da televisão.
O legado de uma comunicadora inesquecível
A morte de Ione Borges, ex-apresentadora da TV Gazeta, marca o fim de um capítulo importante da televisão brasileira, mas sua presença seguirá viva na memória coletiva da comunicação. Ela foi mais do que uma apresentadora: tornou-se referência de estilo, profissionalismo, pioneirismo e conexão genuína com o público.
Sua trajetória representa uma era em que a televisão ao vivo era construída com proximidade, calor humano e conversa direta com a audiência — características que ajudaram a consolidar o sucesso de programas que ainda hoje seguem no ar.
A história da TV de variedades no Brasil não pode ser contada sem mencionar seu nome.


