O Globo play estreou nesta quinta-feira (16) a série documental Original “Caçador de Marajás”, uma superprodução que revisita a trajetória de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar e também o primeiro a sofrer impeachment no Brasil. Com sete episódios, o projeto mergulha na ascensão meteórica e na queda abrupta de uma das figuras mais controversas da política nacional.
Produzida pela Boutique Filmes em parceria com a Waking Up Films, a obra reúne depoimentos inéditos de ex-presidentes, jornalistas, familiares, amigos e ex-funcionários da família Collor, revelando bastidores de uma história que marcou uma geração e transformou o país.
Da fama de “Caçador de Marajás” ao impeachment histórico
O documentário traça o arco narrativo desde os tempos em que Collor, ainda governador de Alagoas, ganhou notoriedade nacional como o “Caçador de Marajás” — apelido conquistado por sua postura contra os altos salários e privilégios do funcionalismo público.
A narrativa percorre sua rápida ascensão à presidência da República em 1989, sua administração marcada por polêmicas e o desfecho dramático de seu governo, encerrado em 1992, com o histórico processo de impeachment.
Além da trajetória política, a série também resgata aspectos da infância, juventude e ambiente familiar de Collor, ajudando a contextualizar o homem por trás do personagem público.
Um épico político com elementos de ficção real
Segundo o diretor e roteirista Charly Braun, o projeto nasceu de uma inquietação antiga em transformar a chamada “era Collor” em uma narrativa cinematográfica.
“A saga da era Collor é cheia de ineditismos e personagens riquíssimos. Há muitos anos eu sonhava em contar essa história, porque ela reúne todos os elementos das grandes tramas de ficção — e, nesse caso, a realidade supera a ficção”, afirma Braun.
O diretor destaca ainda que a série mistura tragédia familiar e destino político, revelando como uma disputa íntima — o rompimento com o irmão caçula, Pedro Collor — acabou se entrelaçando ao colapso de um governo.
Pesquisa, acervo e bastidores de uma era
Para dar vida ao projeto, a equipe percorreu diversas regiões do Brasil em um trabalho de apuração e entrevistas que durou anos. O produtor Marcelo Campanér, da Waking Up Films, explica que a pesquisa incluiu o levantamento de documentos e registros pouco explorados pela imprensa.
“Foi um processo minucioso, que envolveu ouvir vozes de diferentes épocas e origens. Queríamos reconstruir a história a partir de múltiplos olhares”, comenta Campanér.
Já Gustavo Mello, da Boutique Filmes, destaca o papel fundamental dos arquivos da Globo e de acervos históricos na composição da narrativa:
“A série cobre mais de sete décadas — desde a infância de Collor, nos anos 1950, até os dias atuais. É um retrato do Brasil que muda junto com ele, e que ajuda a entender como passado e presente se cruzam de forma permanente”, explica o produtor.
Globo Play: Uma produção para entender o Brasil de ontem e de hoje
“Caçador de Marajás” chega ao Globoplay em um momento em que o país revisita períodos de crise política e reavalia figuras que marcaram a história recente. Mais do que um retrato de Fernando Collor, a série propõe uma reflexão sobre os ciclos de poder, as paixões políticas e o impacto das decisões individuais sobre o destino coletivo.
Com depoimentos fortes, imagens de arquivo e uma construção narrativa envolvente, o documentário promete não apenas revisitar um passado marcante, mas também lançar luz sobre o Brasil contemporâneo, suas contradições e permanências.


