A jornalista Daniela Lima, uma das vozes mais reconhecidas do jornalismo político brasileiro, abriu o jogo sobre os bastidores de sua saída da GloboNews. Em entrevista ao videocast Desculpa Alguma Coisa, comandado por Tati Bernardi no Canal UOL, a apresentadora falou pela primeira vez sobre o desligamento da emissora e o impacto emocional do episódio — além de rebater as fake news que circularam após sua demissão.
“Foi uma porrada”: Daniela relembra o dia da demissão da GloboNews
Demitida em agosto, Daniela Lima contou que o momento foi marcado por um turbilhão de emoções e especulações. “Foi um dia muito emocionalmente ativo, porque as fontes começaram a me ligar de todo lugar pra entender o que tinha acontecido. Foi uma porrada. A quantidade de coisas que escreveram, que viralizou, que foi explorado, me foi muito dolorido. Pra mim e pra minha família”, desabafou a jornalista.
Segundo ela, o mais difícil não foi o desligamento em si, mas a enxurrada de desinformação que veio em seguida. “Sinceramente, foi quase um surto. Houve uma produção em série de fake news. Não tinha dado nem três minutos da publicação do meu post [comunicando a saída] e já tinham repercutido com um viés muito pesado.”
Daniela Lima, que acumula passagens por Folha de S.Paulo, CNN Brasil e TV Cultura — onde comandou o tradicional Roda Viva —, reforçou que o processo foi extremamente desgastante, tanto profissional quanto pessoalmente.
Jornalista desmente boatos e explica o que houve de fato
Entre as versões divulgadas sobre sua saída, uma das mais comentadas apontava que a jornalista teria sido demitida por causa de uma pesquisa interna realizada pela Globo. Daniela fez questão de esclarecer: “Essa história da pesquisa é mentira. A emissora fez uma pesquisa qualitativa, com um grupo pequeno — 81 pessoas, a maioria homens e empreendedores — para entender por que algumas pessoas não assistiam mais à GloboNews. Não era sobre o público geral do canal, mas sobre os haters. Isso é superválido.”
Ela também revelou que não recebeu uma explicação detalhada sobre o motivo da dispensa. “Se você me perguntar ‘o que te disseram?’. Nada. Só falaram que fariam uma reformulação. O motivo, só eles sabem. Acho que o que veio depois foi muito mais violento do que a demissão em si. A empresa tem o direito de escolher com quem trabalha, mas o que se seguiu foi desproporcional.”
Fake news e ataques após a saída da emissora
Além dos boatos sobre a pesquisa, Daniela Lima também precisou lidar com rumores de que assumiria um cargo na Secretaria de Comunicação do Governo Federal. “Fizeram uma foto e já me colocaram como ministra da Secom, da EBC, candidata a deputada… um surto. Era só uma conversa de jornalista com uma fonte. Todo jornalista que cobre política faz isso, mas quando você tem uma cara conhecida, tudo ganha outro peso.”
Ela relatou ainda o apoio que recebeu de colegas e amigas, como Renata Agostini, Natuza Nery, Julia Duailibi e Andreia Sadi, em meio ao caos das notícias falsas. “Foi uma chuva de amor. Eu demorei a chorar. As pessoas chegavam emocionadas, e eu ainda estava meio anestesiada.”
Daniela Lima fala sobre ameaças e exposição pública
Durante a conversa, Daniela também revelou ter sido ameaçada durante uma viagem ao Uruguai, pouco tempo após o episódio da demissão. “Percebi que um casal me olhou de longe. Quando fui ao banheiro, uma mulher abriu a porta e disse: ‘Daniela Lima, você por aqui? Só aqui pra ter um pouquinho de paz, né?’. Depois descobri que ela era do Paraná e apagou as redes sociais quando percebi quem era.”
Para a jornalista, o episódio simboliza o custo da visibilidade em tempos de polarização. “Ter a cara conhecida me custou muito. Apesar de parecer que sou expansiva, minhas coisas são muito minhas. Tenho muita dificuldade até hoje de lidar com isso, de chegar num lugar e as pessoas olharem, se cutucarem, comentarem.”
Mesmo após o turbilhão, Daniela segue firme em novos projetos no UOL e na rádio TMC, mantendo o foco no jornalismo político e em debates sobre a responsabilidade da informação na era digital.


