Fox News no Brasil: falta de interesse adia chegada do canal ao país
Em julho de 2024, a revelação de que a Fox News estudava uma versão brasileira movimentou os bastidores do mercado de mídia. A informação, divulgada por Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo, apontava que o canal norte-americano, líder de audiência entre os canais de notícias nos Estados Unidos, avaliava estrear uma operação local em 2026, de olho na cobertura das eleições presidenciais.
No entanto, a própria Folha agora atualiza: não houve interessados em uma parceria comercial para viabilizar o projeto. Com isso, os planos de expansão foram suspensos — ao menos por enquanto.
Investidores do agro recuam
De acordo com a apuração, executivos da Fox News chegaram a dialogar com grupos ligados ao agronegócio brasileiro, público potencialmente alinhado à linha editorial conservadora da emissora. Porém, o alto custo de implantação e manutenção do canal fez com que os possíveis investidores recuassem.
Fontes afirmam que o orçamento estimado para operação no Brasil era elevado, levando em conta infraestrutura, equipe local, acordos de distribuição e geração de conteúdo em tempo real. O investimento não foi considerado viável frente aos riscos.
Setor saturado desanima novos players
Outro ponto que pesou na decisão foi a percepção de saturação no mercado brasileiro de canais de notícias. Atualmente, o setor já conta com sete emissoras atuantes: GloboNews, Jovem Pan News, CNN Brasil, Record News, BandNews TV, Times Brasil | CNBC e BM&C News. Todos esses canais disputam uma audiência fragmentada, especialmente no digital e entre os públicos de nicho.
Para a Fox News, entrar em um ambiente competitivo, sem garantias de retorno imediato e com limitações regulatórias, tornou-se um risco elevado demais — mesmo com o apelo das eleições de 2026 como trunfo editorial.
A Fox News e sua trajetória nos EUA
Lançada em 1996 por Rupert Murdoch, a Fox News se firmou como o canal preferido do público conservador norte-americano. Durante o governo Donald Trump, foi alvo de duras críticas pela suposta parcialidade a favor do então presidente republicano e ataques sistemáticos ao Partido Democrata.
Apesar das controvérsias, manteve a liderança de audiência. Em 2023, após Murdoch ceder o comando ao filho, Lachlan Murdoch, a emissora continuou no topo, embora tenha enfrentado queda de 19% na audiência, com uma média diária de 1,2 milhão de telespectadores. Na sequência, aparecem MSNBC, com leve crescimento, e CNN, que sofreu retração de 15,7%.
A possível vinda da Fox News ao Brasil era vista como uma tentativa de replicar esse sucesso em outro mercado polarizado politicamente. Por ora, o projeto segue sem previsão de retomada.


