A CNN Brasil completa cinco anos de existência neste 15 de março. Desde sua estreia, em 2020, o canal teve uma trajetória marcada por ambições grandiosas, momentos de protagonismo e também por falhas estratégicas e institucionais. O Bastidor.TV faz um balanço dos principais acertos e erros da emissora neste quinquênio.
Os acertos que construíram relevância
Fortalecimento do talento interno
Um dos méritos da CNN Brasil está na valorização de seus profissionais. Jornalistas como Muriel Porfírio, Gustavo Uribe, Basília Rodrigues, Iuri Pitta, Clarissa Oliveira, Tainá Falcão, Juliana Lopes e Leandro Magalhães encontraram no canal um espaço para crescimento e reconhecimento. A prática de promover talentos da casa ajudou a consolidar uma identidade editorial e criou nomes que hoje são referências na cobertura política e factual.
Cobertura jornalística robusta
Mesmo em meio a turbulências internas, a CNN Brasil conseguiu manter um alto padrão em suas coberturas especiais, especialmente em temas como eleições, crises políticas e eventos internacionais. A emissora replicou com eficiência o modelo de sua matriz americana, o que lhe conferiu credibilidade em momentos decisivos do noticiário nacional.
Destaque no digital
Se no início enfrentava dificuldades no ambiente online, hoje o cenário é outro. A CNN Brasil conseguiu se reinventar nas plataformas digitais e ocupa atualmente o terceiro lugar entre os sites de notícias mais acessados do país — uma ascensão expressiva, considerando que partia da 65ª posição. Além disso, o canal também soube explorar redes sociais e streaming, ampliando sua relevância para além da TV paga.
Os erros que ainda custam caro
Programação gravada nos fins de semana
Para uma emissora que se vende como “o maior canal de notícias do Brasil”, é inaceitável recorrer a jornais gravados na noite anterior aos finais de semana. A escolha compromete a credibilidade e afasta o público mais exigente, que busca informação em tempo real. A programação de sábado e domingo é, frequentemente, repetitiva e desatualizada.
Ausência de cobertura nacional
Apesar de seu porte, a CNN Brasil mantém repórteres fixos em apenas sete das 27 unidades federativas: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pará. Isso limita a diversidade regional da cobertura e revela um descompasso com a proposta de ser um canal de alcance nacional. Pior: não há sinal de expansão ou investimento nesse sentido.
Falta de enfrentamento ao racismo institucional
Um ponto sensível e pouco enfrentado publicamente pela CNN Brasil é o histórico de denúncias de racismo ocorridas internamente. Casos envolvendo profissionais negros foram abafados ou desmentidos, mesmo diante de provas. Em cinco anos, o canal não demonstrou esforço concreto para promover justiça interna nem para ampliar a representatividade em frente e atrás das câmeras. A sensação, para muitos, é de impunidade e omissão.
Conclusão
Ao longo de seus cinco anos no Brasil, a CNN alternou momentos de brilho com decisões controversas. Se, por um lado, formou um time de jornalistas talentosos e ganhou força no digital, por outro, decepcionou ao manter práticas que contradizem a proposta de um jornalismo moderno, inclusivo e nacional. O canal segue relevante, mas sua evolução dependerá da coragem de corrigir o que insiste em ignorar.


